Desejar faz parte. Brota talvez dos confins e labirintos do espírito que prescente o seu estado incompleto.
Nos percebermos desde o início carentes de algo e desenvolvemos o mecanismo de busca dos elementos de preenchimento.
No início o choro estridente que faz agir os que propiciarão satisfação. Na sequência aprendemos a aperfeiçoar novas formas condizentes com o estado de maturação biológica, no entanto com o propósito estruturalmente o mesmo: sorver dos benefícios.
Mas o que está encoberto pro trás desta complexa sensação de falta? Dois tópicos podem começar o caminho da elucidação. Duas vias com tendências opostas na forma como no conteúdo. Ao optarmos por uma - principalmente com o dificultor mor de sabermos da outra linha por onde se pode enviesar o raciocínio - sempre se terá a sombra da perspectiva preterida, tal qual a vida mesma apresenta em toda sua jornada em sucessivas ocasiões.
Ponto pacífico: Desejos são frutos da conscientização da carência que nasce do se sentir incompleto.
Uma abordagem é termos em conta a própria estrutura orgânica, que busca em qualquer patamar que ocupa na cadeia evolutiva incorporar substâncias para autopresevacão. O desejo surge então como ferramenta enraizada no próprio primitivismo da espécie, tão inato quanto o próprio ser. A partir deste reflexo incrustrado em bases fisiológicas, os seres tendêm por natureza ao querer sempre e ininterruptamente. Sendo mais prático e inercial contruírem novas e elaboradas formas de insatisfação, dando assim escape ao sempre querer.
Uma segunda abordagem requer uma perspectiva um tanto mais abstrata e
sugere que o moto contínuo das insatisfações é a ancestral lembrança do todo e de fazermos parte neste todo como partícula essencial apenas sendo. Esta memória subjetiva e compartilhada, nos faz carentes por estarmos agora afastados desta exuberante raíz de onde partimos e éramos completos. Simbolicamente a vida intra-uterina é a melhor e mais próxima visão arquetipica deste núcleo de satisfação contínua de onde a chama vital surge.
terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
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Um comentário:
Muito legal, seu blog......
ah e sobre o cruzeiro,porque não né;;;;
um abraço.
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